Se você está reformando um imóvel construído entre as décadas de 1970 e 1990 em bairros como Santana, Perdizes ou Lapa, existe uma chance real de encontrar amianto no telhado, no forro ou nas tubulações. É um material que passa despercebido em grande parte das reformas — até alguém quebrar uma telha sem saber o que estava mexendo.
Este guia explica onde o amianto costuma aparecer, por que o cuidado no manuseio importa, e como funciona o processo de remoção e descarte correto — que é diferente do descarte de entulho comum.
O que é amianto e onde ele aparece
Amianto é um mineral fibroso amplamente usado na construção civil brasileira ao longo do século XX, por ser resistente, barato e isolante. A cidade de São Paulo proibiu seu uso em construções já em 2001 (Lei Municipal 13.113/2001), à frente do resto do país — mas o uso controlado de um dos tipos do mineral (crisotila) continuou autorizado pela legislação federal até 2017, quando o STF confirmou a inconstitucionalidade dessa permissão em todo o território nacional. Na prática, isso significa que imóveis construídos ou reformados até bem depois dos anos 2000 em outras partes do Brasil podem conter o material. É comum encontrar em:
- Telhas onduladas cinza-claro — o uso mais comum, presente em telhados de casas, garagens e edículas
- Caixas d'água antigas — algumas fabricadas com fibrocimento contendo amianto
- Forros e placas de revestimento — em imóveis mais antigos
- Isolamento de tubulações e instalações elétricas — menos comum em residências, mais frequente em prédios antigos
Não existe forma segura de confirmar visualmente se um material específico contém amianto — a aparência pode ser parecida com fibrocimento sem amianto usado atualmente. Na dúvida, o caminho seguro é tratar telhas antigas com cautela e, se possível, consultar profissional especializado em avaliação antes de demolir ou reformar.
Por que o manuseio incorreto é o real ponto de risco
O principal risco à saúde associado ao amianto vem da inalação de fibras liberadas no ar — o que acontece quando o material é quebrado, furado, lixado ou cortado sem os cuidados adequados. Órgãos de saúde ocupacional reconhecem a exposição a fibras de amianto como fator associado a doenças respiratórias sérias ao longo do tempo.
Por isso, o material íntegro, sem manuseio, tende a representar risco menor do que o próprio momento da reforma ou remoção — que é justamente quando mais se quebra, corta ou movimenta esse tipo de telha ou placa sem noção do que está sendo feito.
Por que não é recomendado remover sozinho
Remover amianto por conta própria, mesmo com boa intenção, tende a aumentar o risco em vez de reduzir. O procedimento correto envolve umectação do material (para reduzir a liberação de fibras), uso de equipamento de proteção individual específico, e embalagem adequada antes de qualquer transporte — etapas que uma empresa especializada em remoção de amianto sabe conduzir com segurança.
Esse é um ponto importante: a Padrão Caçamba não faz remoção nem transporte de amianto em nenhuma etapa. Amianto não é entulho comum e não circula pela nossa operação de caçamba em momento algum — a destinação correta desse material é sempre feita por empresa especializada em resíduos perigosos, do início ao fim do processo.
No Estado de São Paulo, a destinação de resíduos como o amianto passa pelo CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental), emitido pela CETESB — é a empresa especializada quem cuida dessa documentação, não o proprietário do imóvel. Antes de contratar, vale perguntar diretamente:
- A empresa tem CADRI ou licença ambiental vigente na CETESB para esse tipo de resíduo?
- Qual o destino final do material — aterro Classe 1, próprio para resíduos perigosos?
- A empresa fornece documentação do transporte e destinação ao final do serviço?
Como funciona o descarte correto na prática
O processo seguro, conduzido inteiramente por especialistas, segue de forma resumida esta ordem:
- 1. Avaliação — profissional especializado confirma a presença de amianto e planeja a remoção
- 2. Remoção controlada — material é umedecido, retirado com cuidado e embalado (geralmente em sacos reforçados ou embalagem específica)
- 3. Transporte especializado — feito pela própria empresa de remoção, em veículo e embalagem apropriados — nunca junto com entulho comum
- 4. Destino final — local licenciado especificamente para esse tipo de resíduo, com documentação própria
O erro mais comum é pular a etapa 1 e 2 — ou seja, quebrar a telha durante a demolição normal da obra e só depois perceber que era amianto, com o material já misturado ao entulho comum. Por isso, se há suspeita de amianto no imóvel, o ideal é avaliar antes de começar a demolição, não depois.
FAQ: Dúvidas Frequentes
Conclusão
Amianto não é motivo de pânico, mas exige cuidado específico — diferente do entulho comum de reforma. Antes de demolir qualquer telhado ou forro antigo, vale considerar a possibilidade de amianto e, na dúvida, buscar avaliação especializada. Ele nunca deve ser misturado ao entulho comum nem passar pela caçamba da obra — a destinação correta é sempre conduzida, do início ao fim, por empresa especializada em resíduos perigosos.
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